top of page

Em busca do reconhecimento

Atualizado: 29 de jul. de 2025

Por Eduarda Linhares


No Brasil, é evidente que a arte feminina enfrenta grandes desafios para alcançar o reconhecimento que merece. A arte produzida por mulheres não apenas lida com questões de criatividade e técnica, mas também com barreiras impostas pelo machismo estrutural amplamente presente na sociedade. Nesse sentido, é necessário refletir sobre a influência de uma sociedade patriarcal e a urgente necessidade de valorização das obras artísticas feitas por mulheres.


Observa-se que, de fato, o patriarcado historicamente silenciou e invisibilizou a produção artística feminina. De fato, a predominância de homens em espaços culturais e galerias demonstra que o acesso das mulheres a esses meios é limitado. Um exemplo claro é a dificuldade que artistas mulheres encontram para expor suas obras ou obter financiamento para projetos culturais. Como consequência, a produção artística feminina acaba sendo marginalizada, reduzida ou considerada menos relevante frente à produção masculina, contribuindo para a perpetuação de uma cultura que negligencia a diversidade de vozes femininas na arte.


Além disso, outro fator que contribui para essa problemática é a falta de reconhecimento das obras já existentes de autoria feminina. Com efeito, artistas como Carolina Maria de Jesus, uma das escritoras negras mais importantes da literatura brasileira, demoraram décadas para serem devidamente reconhecidas, mesmo com produções impactantes que retratam realidades sociais profundas. Basta observar que, por muito tempo, suas obras foram desvalorizadas por serem associadas à pobreza, à condição de mulher e à cor da pele. Como exemplo, seu livro "Quarto de Despejo", apesar de aclamado posteriormente, foi inicialmente recebido com resistência por parte da crítica literária. Tal cenário revela como o machismo estrutural e o racismo se entrelaçam na desvalorização da arte feita por mulheres. Tudo isso contribui para um ciclo de invisibilidade e desprestígio que dificulta o avanço da presença feminina na cena artística nacional.


Diante disso, é fundamental tomar ações sobre essa desigualdade estrutural. Sendo assim, o governo, a sociedade e o setor cultural devem promover ações efetivas para valorizar a arte de autoria feminina. Isso pode ser feito por meio da criação de editais públicos voltados exclusivamente para mulheres artistas, garantindo representatividade em museus e centros culturais, além de incluir mais obras femininas no currículo escolar, de forma a romper com a lógica patriarcal desde a base educacional. Assim, esta problemática será gradativamente vencida à medida que a arte feminina ocupar seu devido espaço, contribuindo para uma cultura mais justa,plural e representativa.

 
 
 

Comentários


bottom of page