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A invisibilidade da arte feminina no Brasil

Atualizado: 29 de jul. de 2025

Maria Firmina dos Reis teve de usar pseudônimos para publicar seus romances.
Maria Firmina dos Reis teve de usar pseudônimos para publicar seus romances.

Por Dominike Fernandes


De acordo com a pensadora brasileira Djamila Ribeiro, o primeiro passo a ser tomado para solucionar uma questão é tirá-la da invisibilidade. No entanto, no contexto atual do Brasil, a valorização da arte de autoria feminina ainda enfrenta inúmeros desafios para alcançar o devido reconhecimento, assim como no século XIX. Nesse tempo, as mulheres já enfrentavam grande dificuldade para publicar suas obras e, muitas vezes, eram obrigadas a usar pseudônimos a fim de esconder suas identidades. A invisibilidade da autoria feminina no Brasil é resultado de fatores históricos, visto que, por muito tempo, as mulheres foram impedidas de ir à escola e de conquistar espaço no meio literário.


Autoras brasileiras do século XIX, como Maria Firmina dos Reis, que publicou em 1859 o romance Úrsula, e Francisca Júlia, poetisa, usavam pseudônimos. Maria assinava como uma maranhense e Francisca ocultava seu nome completo. Ambas utilizavam essa estratégia porque, naquele período, a presença feminina na literatura era vista com receio. Além disso, a sociedade restringia o papel da mulher ao espaço doméstico. Mesmo com o passar dos séculos, essa atitude ainda se mostra necessária, como foi com Malala Yousafzai, que, em pleno século XXI, precisou se proteger atrás de um pseudônimo para defender o direito das meninas à educação.


Historicamente, o acesso à educação foi um privilégio restrito aos homens, o que impediu muitas mulheres de aprenderem a escrever e, por consequência, de produzirem obras. Por esse motivo, em comparação aos homens, há menos referências de autoras mulheres na história. Contudo, algumas conseguiram se destacar, como Nísia Floresta, que escreveu sobre os direitos das mulheres ainda no século XIX.


Desse modo, é essencial que escolas insiram autoras brasileiras no currículo e realizem feiras literárias com protagonismo de mulheres. Portanto, a invisibilidade da autoria feminina, iniciada ainda em séculos passados, reflete-se na atualidade, o que demonstra a urgência de enfrentar essa desigualdade. Cabe ao poder público criar campanhas que incentivem a leitura de obras de autoras, especialmente as nacionais, valorizando suas contribuições e promovendo uma sociedade mais justa.

 
 
 

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